O nosso ideal

Queremos desenvolver a cultura cervejeira. Desfrutar de boas e artesanais cervejas. Incentivando que as façam!



BBC lança Prêmio Destaques 2012

Homenagem terá seis categorias; divulgação dos vencedores será na sexta-feira (7/12)
Depois da campanha online #cervejadeverdade e do Dia da Cerveja Brasileira, os Blogueiros Brasileiros de Cerveja (BBC) decidiram prestar suas homenagens àqueles que estão na linha de frente do mercado nacional: cervejarias, lojas especializadas, importadores... Enfim, aos que têm tornado possível que o público caminhe em direção ao ideal que propagamos, de beber menos e beber melhor, e de fazer com que cada cerveja bebida seja uma experiência única.

A partir deste ano, o grupo organizará também o prêmio Destaques do Ano BBC, que elegerá por livre escolha (sem lista de indicados) dos blogueiros, os melhores em seis categorias: Lançamento, Cervejaria, Comunicação, Inovação, e as menções honrosas de Melhor Importação e Acontecimento Cervejeiro.

Blogueiros que mantenham qualquer tipo de atividade comercial relacionada a uma categoria ficarão impedidos de votar nestas categorias. Nas demais categorias, não haverá impedimento. Os nomes dos vencedores serão divulgados no dia 7 de dezembro (sexta-feira), por meio dos blogs participantes.

Até a edição de 2013, os vencedores poderão adotar um selo eletrônico desenvolvido especialmente pelos BBC para marcar a escolha.


CATEGORIAS

- LANÇAMENTO
Cerveja, independentemente de estilo, desde que registrada pelo Ministério da Agricultura e comercializada pela primeira vez entre 1o. de janeiro e 30 de novembro de 2012, que se destaque na avaliação dos jurados, em qualidade, aromas e sabores.

- CERVEJARIA
Cervejaria, independentemente de porte, desde que registrada pelo Ministério da Agricultura, que se destaque na avaliação dos jurados devido à qualidade dos produtos e a ações de propagação da cultura cervejeira.

- COMUNICAÇÃO
Cervejaria, independentemente de porte, desde que registrada pelo Ministério da Agricultura, que se destaque na avaliação dos jurados em relação ao uso das ferramentas de comunicação voltadas para o público e para a mídia especializada.

- INOVAÇÃO
Contribuição de caráter inédito, de pessoa ou empresa, para o desenvolvimento do meio cervejeiro, seja novo método de produção, produto, modelo de negócios, etc.

- MENÇÃO HONROSA MELHOR IMPORTAÇÃO
Prêmio simbólico para a cerveja estrangeira regularmente importada, sob responsabilidade de uma distribuidora juridicamente constituída, que se destaque na avaliação dos jurados, em qualidade, aromas e sabores.

- MENÇÃO HONROSA ACONTECIMENTO CERVEJEIRO
Prêmio simbólico para os demais aspectos do meio cervejeiro, como eventos e produtos de divulgação da cultura cervejeira.

Michael Jackson - O outro

São seis episódios The Beer Hunter, vídeos legendados pelo(@pdallasanta)
Você quer saber mais sobre o MJ da cerveja?  (aqui)




Os Borgonhas da Bélgica


O Quinto Elemento
Conexão Boêmia

 A Cerveja Nossa de Cada Dia

 Peregrinação à Califórnia

O Melhor da Grã-Bretanha

Ainda sobre cervejas, aditivos e cereais não maltados

Texto original publicado por Marcio Rossi em Brejas 24/03/2010
 O mito da cerveja má
Terminaram devorados nossos parentes do pleistoceno que indagaram-se sobre as intenções do Tigre de Sabre encontrado no caminho de volta a aldeia. Decidir rapidamente entre bom e mau foi uma habilidade essencial na evolução da humanidade. Tanto que o mundo foi separado dessa forma. Tudo fazia sentido e sobrevivíamos para deixar descendentes e assim dar continuidade da espécie. O efeito colateral deixado foi a incorrigível compulsão por separar tudo entre dois extremos opostos, qualificando tudo que se apresente de uma forma ou de outra.

O sujeito passou a vida bebendo da mesma cerveja. Em sua trajetória passou por alguns rótulos e por fim escolheu o seu. Inspirado pelo instinto ancestral, ele separou o mundo da cerveja entre boa – a dele – e má, as dos outros. Havia paz e equilíbrio. Alheio ao fato de que as boas e as más eram mais ou menos parecidas, ele seguiu feliz até esbarrar em outro tipo de cerveja. Então ele precisou decidir se continuaria pelo caminho de onde vinha ou se exploraria o universo de opções que se apresentava. Minha história e provavelmente a sua coincidem com a segunda alternativa, vamos falar mais dela.

A passagem de um estilo de cerveja e meia dúzia de rótulos para centenas de estilos e milhares de rótulos pode ser confusa. Dessa forma, recorremos ao instinto ancestral e implementamos a dualidade que nos permite ver as coisas de forma organizada: a cerveja que bebíamos era ruim, a que bebemos agora é boa. O neófito se informa, alarga seu conhecimento, experimenta. Acaba descobrindo como a cerveja é feita e acredita entender porque a cerveja que ele bebia antes – e a grande maioria do universo ainda bebe – seria ruim. Lei da Pureza, puro malte, lúpulo, lager e ale integram o novo vocabulário. E nesse ponto ocorrem uma profusão de equívocos envolvendo o ponto central deste artigo: afinal de contas, o que é cerveja boa?

Equívoco número 1: Reinheitsgebot, A Lei da Pureza.

Ela costuma ser invocada como garantida de qualidade. Para começar, a Reinheitsgebot define apenas uma escola específica, a alemã, enquanto temos ainda pelo menos outras duas escolas clássicas, a inglesa e a belga, sendo que esta última usa e abusa de adjuntos – inclusive açucar – para produzir algumas das melhores do mundo. Ou seja, existe cerveja boa que não é Reinheitsgebot. E vice-versa. Sim, vice-versa. A cerveja pode seguir rigorosamente a Lei da Pureza e ficar ruim devido a problemas no processo de fabricação, carregando consigo os famigerados off flavours.

Equívoco número 2: cerveja leve é medíocre, é água suja.
Temos mais de uma centena de estilos oficiais de cerveja, alguns deles especificam cervejas leves. Elas são, disparado, o tipo mais consumido do planeta. E não é por mero acaso: as pale lagers são cervejas refrescantes fáceis de gostar por serem leves e pouco amargas. E são dificilíssimas de serem feitas. Exatamente devido à leveza, o processo deve ser rigorosamente controlado pois qualquer concentração de off – flavor ficaria destacada. Isso efetivamente acontece com muitas cervejas comerciais e tem pouco a ver com os ingredientes usados ou mesmo estabilizantes e antioxidantes. Sobretudo, essas cervejas são feitas em volumes oceânicos em estabelecimentos dispersos e precisam manter suas características, uma proeza hercúlea. E ainda assim, existem exemplos de boas cervejas comerciais, leves e bem feitas.

Equívoco número 3: O milho e os famigerados cereais não maltados.


Virou moda entre os neófitos desdenhar cervejas comerciais porque seriam supostamente feitas de cereais não maltados (mesmo por gente que sequer tem idéia do que seja malte), marcadamente milho. Coitado do milho. Jack Daniels é feito de milho e é um bourbon de sucesso. Muita coisa boa é feita de milho. Cerveja não, é verdade. Mas a César o que é de César. No passado o uso de gritz de milho e arroz (grão triturado e no caso do milho separada a parte oleaginosa) servia como fonte adicional de nutriente para a levedura. Dá tanto trabalho para processar que tem caído em desuso e muitas cervejas que declaram cereais não maltados em seu rótulo não utilizam nenhum, apenas deixaram a descrição pela comodidade de poder utilizá-los se e quando necessário. A bola da vez se chama high maltose e é um açucar idêntico ao encontrado no malte, mas extraído do xarope de milho e sem interferência direta no sabor da bebida. O famoso aroma de milho cozido das cervejas leves deve-se a um composto chamado de DMS que tem sua origem no malte. Sim, no malte. Você encontrou aroma de legumes cozidos, milho em sua cerveja? É um defeito e também uma prova de que ela foi feita com malte! Sobretudo, existe uma legislação nacional, a nossa lei da cerveja segundo a qual um máximo de 10% do peso do extrato primitivo pode ser de açucares adicionados, sendo os adjuntos permitidos até o máximo de 45% do total do extrato.

Mas afinal, o que faz uma boa cerveja?


Ingredientes de qualidade combinados em uma boa receita executada em um processo controlado. O componente final é você. A cerveja pra ser boa, tem agradar a você. Não interessa se agrada a todo o mundo e para você não tem graça. Do mesmo modo, é preciso respeitar a escolha alheia, evitando a armadilha da arrogância ao posicionar-se diante de pessoas com preferências diferentes, ainda mais se a intenção for beer-evangelizá-las.

Sobre carboidratos, cereais não maltados, aditivos e gato por lebre

Com a intenção de esclarecer esse post quer recuperar o que vem sendo dito sobre a qualidade da cerveja nos últimos anos.
No dia 6 de outubro uma polêmica reportagem reviveu uma discussão antiga e persistente sobre a cerveja brasileira e sua qualidade. Uma pesquisa da USP revelou o alto grau de utilização de milho nas cervejas.
imagem que postei no FB sobre a pesquisa
 
Essa é a reportagem da USP em 6 de outubro de 2012
Veja o link

A seguir faremos uma recuperação deste polêmico assunto
Para quem quer saber sobre a composição da cerveja pode ler os posts que fiz sobre isso.

Lei de pureza 
Ale Lager Lambic

Complementando podemos dizer que muitas cervejarias utilizam, e podemos verificar em seus rótulos, além de água, malte, lúpulo os cereais não maltados e carboidratos. E para a conservação o uso do estabilizante INS 405 e o antioxidante INS 300 ou 316, e ainda para as cervejas mais escuras o corante caramelo INS150c


Para que o leitor possa acompanhar faremos uma compilação do que foi veiculado começando em 2009 quando o Físico Rogério Cezar Leite já alertava sobre a baixa qualidade das cervejas de grande consumo no Brasil.


Em 18 de dezembro de 2009...

A cerveja: bebendo gato por lebre
por ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE

É inexplicável que sejam tão omissas as autoridades brasileiras quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo

BRASIL é o quarto maior produtor de cerveja, com pouco mais de 10 bilhões de litros por ano. A China é o maior de todos, com 35 bilhões, e os EUA são o segundo, com 24 bilhões. A Alemanha vem em terceiro, com uma produção apenas 5% maior que a brasileira.
Segundo norma autorregulatória da indústria cervejeira alemã, a cerveja é composta única e exclusivamente por apenas três elementos, cevada, lúpulo e água, tendo como interveniente um fermento. Tradicionalmente, o termo malte designa única e precisamente a cevada germinada.
O malte pode substituir a cevada total ou parcialmente. A malandragem começa aqui. Com frequência, lê-se em rótulos de cervejas a expressão "cereais maltados" ou simplesmente "malte", dissimulando assim a natureza do ingrediente principal na composição da bebida.
Com a aplicação desse termo a qualquer cereal germinado, a indústria cervejeira pode optar por cereais mais baratos, ocultando essa opção.
O poder da indústria cervejeira no Brasil (lobby, tráfico de influência etc.) deve ser imenso. Basta lembrar que convenceram as autoridades (in)competentes nacionais de que não estavam violentando normas que regulam a formação de monopólios ao agregar Brahma e Antártica -o que constituiria então cerca de 70% do consumo nacional- com o argumento de que só assim poderiam concorrer no mercado globalizado. Mas depois foram gostosamente absorvidas por uma multinacional do ramo, certamente uma forma sutil de realizar a concorrência prometida. E não foi tomada nenhuma providência.
Aliás, sempre que aparecia no cenário uma empresa nascente que, pela qualidade, pudesse despertar no brasileiro uma eventual discriminação quanto ao sabor, era ela acuada por todos os meios possíveis e finalmente absorvida, e sua produção, reduzida ao mesmo nível da mediocridade dos produtos das duas gigantes.
Aparentemente, o receio era o de que a população cervejeira, ao ser exposta a diferentes e mais sofisticados exemplos, desenvolvesse algum bom gosto e, consequentemente, passasse a demandar cerveja de qualidade.
A cerveja brasileira (com pequenas e honrosas exceções) é como pão de forma: mata a sede, mas não satisfaz o paladar exigente.
Para esclarecer a questão da má qualidade da cerveja brasileira, vamos fazer alguns cálculos.
A produção nacional de cevada tem ficado nos últimos anos entre 200 mil e 250 mil toneladas, das quais entre 60% e 80% são aproveitados pela indústria cervejeira. Essa produção agrícola tem sido suplementada por importação de quantidade equivalente. Em média, portanto, cerca de 400 mil toneladas de cevada são consumidas na indústria da cerveja no Brasil, presumindo-se que quase toda a importação tenha essa finalidade.
O índice de conversão entre a cevada e o álcool é, em média, de 220 litros por tonelada. Como as cervejas brasileiras têm um teor de álcool de 5%, podemos concluir que seria necessário que houvesse pelo menos seis vezes a quantidade de cevada hoje disponível para a indústria nacional da cerveja. Portanto, a menos que um fenômeno semelhante àquele do "milagre da multiplicação dos pães" esteja ocorrendo, o álcool proveniente da cevada na cerveja brasileira representa cerca de 15% do total.
Há pouco mais de duas décadas foi publicado um relatório de uma tradicional instituição científica do Estado de São Paulo segundo o qual análises de cervejas brasileiras mostravam que um pouco menos que 50% do conteúdo da bebida era proveniente de milho (obviamente sem considerar a água contida).
Como o índice de conversão de grão em álcool para o milho é 80% maior que para a cevada, podemos considerar que a conclusão do relatório em questão atua como álibi, pois satisfaria normas vigentes. Isso também explica a preferência dos produtores de cerveja pelo milho, pois os preços da tonelada dos dois cereais são aproximadamente os mesmos, apesar de consideráveis oscilações.
Esses números permitem, todavia, concluir que o milho (e outros eventuais cereais que não a cevada) constitui, em peso, quase três quartos da matéria-prima da cerveja brasileira, revelando sua vocação para homogeneização e crescente vulgaridade.
Outro determinante da baixa qualidade da cerveja brasileira é a adição de aditivos químicos para a conservação. O mal não está só nessa condição, mas na sua necessidade. O lúpulo em cervejas de qualidade, sejam "lagers", sejam "ales", é o componente responsável pela conservação -além, obviamente, de suas qualidades de paladar.
Depreende-se daí que os concentrados de lúpulo usados na cerveja brasileira são de baixa qualidade. O que é inexplicável e de lamentar, entretanto, é que as autoridades brasileiras, tão zelosas para com alimentos corriqueiros, sejam tão omissas quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo e permitam que o cidadão brasileiro beba gato por lebre.
ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha

Na mesma época foi veiculada uma resposta de Silvio Luiz Reichert, químico e vice-presidente de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da  Anheuser-Busch Inbev.

clique para visualizar melhor





Prontamente rebatido por Rogério na Folha de São Paulo


Cerveja: O orgulho de quem fatura mais
Por que as cervejas belgas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?


Em texto anônimo, assinado por um certo Silvio Luiz Reichert e intitulado “A cerveja e o orgulho de quem faz o melhor” (30/ 12), a multinacional de capital estrangeiro Anheuser-Busch Inbev, proprietária da AmBev, responde ao meu artigo “A cerveja: bebendo gato por lebre” (18/12/09).
Entretanto, não responde à principal acusação, a saber, o engodo de que foi vítima o governo e o povo brasileiro pela fusão Antártica-Brahma, quebrando princípios e a legislação contra a formação de cartéis com a desculpa de que, fundidas, poderiam enfrentar a competição com multinacionais -para ser o cartel, em seguida, absorvido por empresa estrangeira.
Também não foi explicada a prática perversa de coação a cervejarias nascentes para depois absorvê-las e aniquilá-las ou banalizar seus produtos. Pois bem, a mentira tem muitas faces, como se vê em seguida.

1) Maranhão, mentira bem urdida (padre Vieira, “Quinto Domingo da Quaresma”). Diz o echadiço que “a maior parte do malte utilizado pelas grandes indústrias, algo em torno de 65% ou mais, é importado. Mas isso não entrou na conta do autor”. Ora, ou o trombeta não sabe ler, ou é intelectualmente apoucado, ou é mal-intencionado, ou os três, pois foi exatamente com a soma da cevada produzida no Brasil com a importada que foram feitas as minhas contas.

2) Patranha, mentira para tolos, crédulos. Afirmei e reafirmo aqui que a taxa de conversão da cevada em álcool é de 0,216 L/kg, e de milho em álcool é de 0,388 L/kg. E o sofista responde com as taxas de rendimento “na composição do extrato originário”, o que nada tem a ver com conversão em álcool. Os dados, em todo caso, podem ser encontrados por exemplo no estudo “Culturas energéticas e o etanol”, de Tiago Mateus. O leitor interessado também pode encontrar os dados de importação e exportação em www.cnpt.embrapa.br ou www.quercus.pt e com isso repetir os meus cálculos. Cuidado, deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), pois está sendo ultrapassado desavergonhadamente em seu recorde mundial.

3) Inverdade, eufemismo (Machado de Assis, “A Semana”). Diz o buzina que “as cervejarias brasileiras de primeira linha não usam conservante (…) porque é ilegal”. Será que a legislação brasileira é diferente para cervejas de segunda linha? E quais são as cervejas de segunda linha que, de acordo com a legislação brasileira, podem legalmente intoxicar os brasileiros com conservantes?

4) Embuste
, quando é calculada para enganar. Diz o passavante que conservantes não são usados por serem desnecessários. Então para que servem o antioxidante INS 315 e o estabilizante INS 405, como se lê em letras miúdas de quase todos os rótulos de cervejas da AmBev e das demais cervejarias nacionais? Será que a mudança de nomenclatura de “conservante” por seu sinônimo, “estabilizante”, satisfaz o legislador brasileiro? Será que o sarabatana estaria chamando o brasileiro de analfabeto, incapaz de ler o rótulo, ou de idiota, pois incapaz de entender o que lê?

5) Patarata é mentira com basófia, ostentação. Diz o estafeta que o lúpulo que é usado no Brasil vem da Alemanha e dos EUA e, portanto, é tão bom quanto o usado naqueles países. Mais uma vez ofende a inteligência do leitor da Folha e do brasileiro em geral. Importamos vinhos de excelente e de péssima qualidade da França, da Itália etc. Os de baixa qualidade são mais baratos. Importamos bons e péssimos filmes dos EUA.
A diversidade da qualidade do lúpulo alemão é, reconhecidamente, enorme. As cervejas americanas são quase tão “leves, refrescantes e digestivas” e homogeneamente banais quanto as brasileiras. Que o leitor experimente uma dessas vulgares cervejas americanas. (Aliás, se alguém precisa de digestivo, é melhor tomar sal de fruta Eno do que cerveja da AmBev. E o gosto não é muito diferente). Então por que as boas cervejas belgas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?

6) Intrujice,
quando se abusa da credulidade de fraternos. E, agora, o maior dos sofismas, o abuso repugnante de um sentimento de brasilidade dentro da mesma técnica que a AmBev elabora suas indecorosas propagandas televisivas, que induzem o cidadão desavisado a consumir suas cervejas pela associação com objetos de desejos primitivos: carros de luxo, mulheres seminuas, fartos banquetes, ou seja, a peta da promessa de sucesso.
Os pífios argumentos do recadista apenas comprovam o baixo nível ético da empresa que o emprega.


TEREMOS MUITOS OUTROS CAPÍTULOS DESSA CERVEJARIA BRASIL!

Cerveja, a bebida da luxúria – O primeiro gole era delas





A cerveja é uma bebida que acompanha o ser humano há mais de 6.000 anos. Essa companhia sempre foi interessante pela propriedade inebriante da bebida alcoólica. No tempo que remonta esta história os sumérios obtinham a bebida fermentada através dos cereais, e sem saber da existência do álcool, mas produziam pelos benefícios que pareciam mágicos.
As mulheres eram as responsáveis pela produção da cerveja neste período histórico e os efeitos relaxantes foram percebidos pelas prostitutas que logo faziam suas melhores cervejas para atrair os clientes. A ligação da cerveja e o prazer carnal já haviam feito sua conexão lá em tempos babilônicos.
A famosa loira gelada brasileira sempre usou deste componente da luxúria para reunir na propaganda de cerveja corpos seminu e um toque de sexualidade para aguçar a sede dos consumidores. Mas alguma coisa está mudando. A cerveja já pode ser vista de outra forma que não seja bem gelada e em grandes quantidades e o foco das atenções não seja a dona do bar gostosona que se parece com a Gabriela, não a primeira, mas a morena de agora. A luxúria ou neoluxúria da cerveja está escondida no próprio copo do líquido que passa a ser apreciado com a devida atenção. A sensualidade está nos sabores diversos e
libidinosos que por tanto tempo foram surrupiados dos brasileiros. A oferta de saborosas cervejas é hoje a realidade que faz o consumidor virar um caçador de novos prazeres. A confissão dos novos pecadores é para livrar-se do pecado original da cerveja mal feita e de baixa qualidade. A tentação é por aromas florais de lúpulo que podem desencadear uma obsessão por descobrir os encantamentos dos rótulos mais raros e desejados. O desejo, o apego as suas garrafas e a descoberta de um mundo dos pecados é a transformação da ditadura dos belos corpos e de um sabor apenas para a democracia com pluralidade e das novas experiências. Foi proferida a boa nova, hoje somos livres para ousar em um pecado cervejeiro que substitui a quantidade pela qualidade. Quando apreciamos o corpo da cerveja estamos realmente falando da sensação da cerveja na boca e o uso da língua como órgão sexual cervejeiro.
A cerveja já conquistou o seu espaço na gastronomia e na mente dos zitólogos apaixonados e dos adoradores da boa mesa. Somos carne e não haverá remissão dos pecados cervejeiros. Está escrito no catecismo do malte que poderemos elevar nossos espíritos libertados para um plano superior das sutilezas de uma boa cerveja.
Todos estão diante de uma encruzilhada que leva ao pecado libertador e não tem retorno. Não bastarão penitências para aplacar os seus desejos. Uma vez feito o caminho das cervejas especiais ele é prazeroso e sem volta.

Luciano Castro, Biersommelier/Zitólogo

Agenda Brasileira para Cervejas Sazonais



 Eu tenho o conceito de que podemos beber qualquer cerveja a qualquer tempo. Mas para as produções sazonais precisamos de um pouco de organização. O Site do Beersmith publicou uma agenda para fazer as produções de cervejas sazonais. Aqui nosso clima se difere do Hemisfério Norte e suas datas, então fiz uma adaptação da agenda original. É claro que em regiões não observamos as mudanças climáticas de uma forma marcante, mas serve a idéia para as comemorações.

http://beersmith.com/blog/2009/10/18/seasonal-beer-brewing/

Cervejas de Inverno - Produção no Outono.

  • Stouts, Porters e outras cervejas escuras
  • Barley Wine (precisa de um longo envelhecimento - começar um ano ou mais de antecedência)
  • Trigo de inverno (Ex: Weissbock)
  • Rauchbier (Defumado)
  • Scotch Ale
  • Old Ale 
  • Dopplebock

Cervejas da Primavera - Produção no Inverno.

  • Oktoberfest
  • Ano Novo Judaico (Rosh Hashanah)
  • Irish Ale / Irish Stout  
  • Bock / Doppelbock
  • Indian Pale Ale
  • Fruit Beer
  • Cerveja de trigo, Weizen e Weisse - particularmente Hefeweizen
  • Saison – Farmhouse Ale
  • Blond Ale
  • Belgian Wit  / White Beer
  • Cerveja para comemorações 7 de setembro (Ou 20 de setembro RGS)

Cerveja de Verão - Produção na Primavera.

  • Christmas Beer/ Cerveja feita para a comemoração do Natal (nesse caso merece alguma adaptação para ser uma cerveja mais refrescante)
  • Cerveja para o Carnaval
  • Holiday Ales
  • Cerveja para a Páscoa 
  • Cerveja verde para o Dia de San Patrick (17 de março)
  • Baviera Weizen / Weisse
  • Pilsner
  • Cream Ale
  • Steam Beer – Califórnia Common
  • Kolsch
  • Summer Ales
  • Saison – Farmhouse Ale
  • Fruits / Cervejas de trigo

Cerveja de Outono – Produção no Verão

  • Marzen 
  • Beer Pumpkin
  • English Pale Ale
  • Brown Ales
  • Dunkelweizen
  • Harvest Ale  
Você tem sua sugestão para agenda de cerveja sazonal? Deixe um comentário abaixo para que todos possam ler.
BOAS CERVEJAS!

Eisenbahn 10 anos - A Revelação

Eisenbahn 10 anos

A cervejaria Eisenbahn (Cervejaria Sudbrack/Blumenau-SC) no seu aniversário de dez anos produziu uma cerveja para marcar a data. O estilo escolhido desta cerveja foi o Doppelbock, mas com uma característica inusitada que é ser uma cerveja mais clara do que estamos acostumados para esse estilo mais potente no álcool e no malte. Com grande expectativa o mercado esperou esse lançamento, pois a cerveja de cinco anos de aniversário da cervejaria foi muito bem recebida pelos consumidores e hoje a Eisenbahn 5 já conquistou lugar na produção regular e na geladeira dos apreciadores de cerveja.
Outra carcacterística dessa cerveja de 10 anos é a utilização do carvalho para proporcionar mais complexidade e tornar esse um produto único. Começando por sua apresentação na garrafa rolhada a Eisenbahn 10 anos promete entregar um ótimo e instigante consumo de uma cerveja com produção limitada.
Essa é a bebida antes de começar a degustação. A cerveja já está dizendo para que veio. Não vamos abrir uma garrafa impunemente para apenas beber, essa é uma cerveja que todos tentarão revelar o que for possível em uma degustação.
A rolha precisa de uma "forcinha".
E assim eu o fiz revelando o conteúdo desta garrafa com uma livre possibilidade de um consumidor sem a rigidez de uma degustação técnica. Deixando desde então que as percepções e as preferências pessoais se manifestem sem pudor.
Na abertura da garrafa noto que esta segue a tendência das garrafas rolhadas de cerveja, na sua maioria, que dificultam a sua abertura. Não sei o que é, mas precisamos de força e um pouco de paciência para não quebrar a rolha.
No copo despeja o líquido amarelo alaranjado e turvo, sua filtração é parcial e essa apresentação é esperada. Subindo uma espuma branca de boa formação com uma bela configuração no copo.
Uma bela formação de espuma
Vamos ao nariz para sentir o que os olhos já encheram de expectativa. A primeira impressão é o cítrico, talvez abacaxi, com a madeira ainda mostrando no aroma uma baunilha que provem do carvalho utilizado. Rapidamente se quer provar para ir além, mas podemos ficar um pouco mais detidos no aroma desta cerveja que o álcool começa a exalar. Para os desavisados essa cerveja é mais alcoólica, 7,2% ABV. As notas de madeira preenchem mais a composição dos aromas e quase que dominam deixando pouco espaço para os aromas cítricos que se mostraram primeiramente.
Retornando ao copo podemos ver algumas partículas dos chips de carvalho que foi usado se depositando no fundo.
Para o primeiro gole já sei que essa cerveja não tem um referencial sensorial, não adianta querer ver um estilo aqui, e vamos envolvidos pelo que ela mostrou antes.
Na boca os sabores estão em equilíbrio e o dulçor residual combina com o estilo proposto, embora ela até agora não estivesse seguindo essa ideia, o amargor é presente e o álcool é perceptível e suave. O amadeirado tão presente no aroma também aparece dominando e o cítrico harmoniza bem com o conjunto. A carbonatação tem um nível médio para alto ajudando na composição dos sabores. Eu esperava mais do paladar, acho que tanto de madeira comprometeu para o meu gosto, não sou adepto do quanto mais melhor. O final também é amadeirado. A acidez é média, o que me proporciona novos goles investigadores para essa cerveja. È assim, goles e goles de investigação. Modificar alguns balanços me parece que a cerveja se encaixaria melhor no meu gosto.  Encontrada a rota desta cerveja, instigar e mostrar uma criatividade possível. Para todos aqueles que gostam de novidades essa cerveja precisa ser degustada. Também para os colecionadores a garrafa tem o lugar na prateleira. Não abram uma garrafa com um conceito de cerveja, apenas aprecie e se quiser julgue para o seu paladar. O valor da garrafa de  375ml está bem convidadtivo em se tratando de uma produção limitada. Fica em torno de R$18,00 nos supermercados.
Se quiserem tornar mais intensa essa degustação podem servir um queijo Gouda com Prosciutto di Parma acho que seria uma bela pedida.
Sejam receptivos para novas experiências sensoriais e abram uma cerveja para degustar.

Dia Internacional da Cerveja ~ Tem lá em casa!


Hoje é o dia Internacional da Cerveja e podemos comemorar nas redes sociais com #diainternacionaldacerveja #IntlBeerDay. Alguns dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja seguem a tradição e abrem a geladeira para #temlaemcasa e mostram as cervejas do dia.

Aqui tem cervejas que freqüentam bastante a minha geladeira. A convidada é a Eisenbahn 10 anos. Feita em comemoração ao aniversário da cervejaria. Essa vai receber um post especial com uma avaliação técnica. Será a primeira vez que vou publicar uma avaliação no blog. Terei uma licença poética no que escrever :D
Na sequência são as cervejas que eu considero sempre uma boa pedida

Eisenbahn 10, 5, Pale ale e a dupla Hoegaarden



A Eisenbahn 5 que também foi feita para comemorar o aniversário dos primeiros cinco anos da cervejaria. Estilo: Vienna Lager

Este post não foi patrocinado pela cervejaria de Blumenau, eu realmente consumo essas cervejas com assiduidade e essa Pale Ale Eisenbahn foi para muitos cervejeiros a porta de entrada para as cervejas especiais. Estilo:  Belgian Pale Ale

Outra que não precisa de convite para entrar na geladeira é a Hoegaarden, uma cerveja que curto a qualquer hora. Parece Bis, não dá para tomar uma só. A cerveja foi criada por Pierre Celis
e consolidou mundialmente o seu estilo. Estilo: Witbier

 No momento estou sem nenhuma caseira, mas em breve...



Òtimo dia para todos!


Rota Cervejeira BR ~ Enjoy Tchê! ~ parte final

Esse post é um trabalho colaborativo dos Blogueiros de Cerveja !
Nesta última parte os colaboradores indicam a Rota Cervejeira  de outros estados.

Turismo: os melhores lugares cervejeiros do Brasil








Felipe Baptista  - Clube da Cerveja Eisenkreuz

Santa Catarina é uma terra de praias exuberantes, mulheres lindíssimas, uma Oktoberfest considerada a segunda maior do mundo e cervejas que não deixam nada a dever para as grandes cervejarias alemãs!
Daremos uma atenção especial para Blumenau, uma cidade de colonização alemã e situada ao lado de um rio no qual sua água serve como base para duas grandes cervejarias no mercado nacional. A mais conhecida delas é a poderosa Eisenbahn, talvez uma das primeiras microcervejarias ativas até o momento e responsável, de acordo com muitos especialistas, pela revolução cervejeira que se vê acontecendo no país. Visite a Estação Eisenbahn e deguste as cervejas mais premiadas do país enquanto aprecia um prato da culinária típica alemã.

Bar na cervejaria Eisenbahn






Após desmbarcar da Estação, siga para a cervejaria Bierland, que foi criada a partir da idéia de três sócios de entrar no ramo alimentício e hoje é uma das mais importantes cervejarias do país. Aproveite o agradabilíssimo ambiente enquanto aprecia uma cerveja no estilo Vienna, alvo de grandes críticas positivas tanto aqui quanto no exterior, ou uma Pilsen para as pessoas que gostam de uma cerveja mais leve, porém, não menos saborosa.

Bierland (foto: Saída Urbana)
Caso você queira aproveitar um ambiente mais inglês, a cidade também conta com um pub, o The Basement. Ele possuí uma vasta variedade de cervejas artesanais e uma ótima carta de vinhos, além de ótimos chefs de cozinha que garantem uma comida de excelente qualidade. 
The Basement
 Quem aprecia um bom churrasco, não pode deixar de visitar o Restaurante Figueira, que assa suas carnes ao melhor estilo uruguaio e apresenta uma extensa carta de cervejas e vinhos. Além de ter um dos melhores ambientes da cidade, o restaurante conta com um clube da cerveja, que possibilita ao cliente acumular pontos e os trocar por mais cervejas ao longo dos tempos.
Restaurante Figueira
Mas as atrações da região não param por aí. O famoso passeio pela Rota da Cervejapassa por seis cidades da região, visitando oito cervejarias, onde você pode apreciar toda a cultura alemã absorvida pela colonização nas cidades. A Rota engloba as seguintes cidades e cervejarias: Blumenau (Bierland e Eisenbahn), Indaial (Heimat), Gaspar (Das Bier), Pomerode (Schornstein), Brusque (Zehn Bier) e Timbó (Borck). O passeio é uma das principais atrações turísticas do Estado e é imperdível para qualquer apreciador das boas cervejas.







Jota Fanchin Queiroz - Bar do Jota

Curitiba é conhecida nos meios publicitários como uma cidade termômetro, uma espécie de laboratório. Costuma-se considerar de que se um produto venceu a resistência do consumidor curitibano, exigente e resistente a mudanças, é um indicador seguro de sucesso de mercado. E se esse é mesmo um bom indicativo, o mercado das cervejas artesanais está no caminho certo. O movimento que começou na cidade há apenas uns dois ou três anos, caiu no gosto do curitibano e é hoje uma verdadeira febre. Com tanta popularidade, bons lugares para beber é o que não falta.

Comece pela Avenida Mateus Leme, quase no centro da cidade. A apenas duas quadras do conhecido Shopping Mueller, está o Hop’n´Roll Beer Club. Lá, duas grandes atrações o aguardam: além de degustar excelentes cervejas tiradas na hora, você pode também fazer a sua. São diariamente 12 opções na trave de cervejas on tap, tiradas diretamente de barris. Dentre as opções, além de artesanais de todo o Brasil, o Hop tem sempre uma surpresa internacional. Mas o diferencial da casa é a estrutura disponibilizada para que qualquer cliente possa realizar o sonho de fazer a própria cerveja. Basta marcar o dia e sair com a sua cerveja.
Hop'n Roll





 Seguindo pela mesma avenida, cerca de dez quadras, encontramos o mais tradicional ponto de cervejas especiais da cidade: a Cervejaria da Vila. Lá também é possível contar com uma trave com 12 opções de artesanais além de uma excelente carta de cervejas em garrafa. Uma das iniciativas pioneiras da Vila são os experimentos cervejísticos. Em parceria com a cervejaria Junka Beer e com a participação dos clientes, são elaboradas cervejas de um mesmo estilo com pequenas variações na receita para efeito de comparação. A mais recente foi a produção de uma India Pale Ale utilizando em cada receita um determinado tipo específico de lúpulo. Vale o programa.

Mais próximo do centro encontramos o Clube do Malte. Uma casa um pouco mais sofisticada em uma mistura de loja especializada e bar. A gastronomia, refinada e com sugestões de harmonização, é o ponto alto aqui. Destaque ainda para o grande número de rótulos disponíveis com uma das melhores cartas de cerveja da cidade.

Agora, para conversar sobre cerveja, o lugar indicado é o Templo da Cerveja. Loja conceito conta com apenas uma grande mesa onde todos os clientes sentam-se juntos. A ideia é estimular a discussão. O bacana é que, mesmo se você estiver sozinho, terá um excelente papo. Nas prateleiras uma seleção mais do que caprichada de rótulos e no atendimento o profundo conhecimento técnico da equipe do Templo.
Templo da Cerveja
 A cidade conta ainda com um grande número de cervejarias. Talvez a mais conhecida delas seja a premiada cervejaria-escola Bodebrown, onde o Samuel Cavalcanti exerce sua alquimia. Da grande Curitiba vem duas cervejarias já com distribuição nacional, a Klein Bier em Campo Largo (29km de Curitiba) e a Way Beer em Pinhais (10km de Curitiba). Se você estiver com tempo, todas elas possuem horários para visitas. Basta marcar com antecedência. Além das três, existem várias outras cervejarias surgindo a cada dia. E a ousadia e a criatividade tem sido a marca registrada por trás de nomes como Wensky, Dum, De Bora, Ogre, Gauden, Helldorado e tantos outros.

Para encerrar a visita cervejeira à cidade, não deixe de provar a tradicional Carne de Onça. Uma variante do prato alemão Hackepeter, é o típico prato de boteco da cidade. Recomendo a do Clube do Malte.






Raphael Rodrigues - All Beers

São Paulo é o principal centro financeiro da América Latina e é nacionalmente conhecida como sendo o centro gastronômico do país. Como não poderia ser diferente, as cervejas especiais estão em todas as partes da metrópole. Por isso, resolvi apontar 4 pontos cervejeiros de grande destaque no cenário nacional e que devem ser visitados por curiosos e pelos cervejeiros de carteirinha.

Antes de começar o tour, não esqueça, “beba menos, beba melhor”. Aproveite cada bar citado, mas sem exagerar.

Começamos nosso passeio pelo bairro de Pinheiros, onde encontramos dois pontos fundamentais para uma rota cervejeira

O Empório Alto dos Pinheiros é atualmente o ponto mais badalado de cervejas da cidade de São Paulo, sempre com novidades, palco de diversos eventos cervejeiros e uma carta extensa, uma das maiores da cidade, se não for a maior. Impossível não parar para conversar com o Paulo Almeida, proprietário do EAP que entre um papo e outro, fala com propriedade sobre o assunto cerveja. O local continua crescendo e um balcão foi construído, aumentando para 28 torneiras de chope das melhores cervejarias do mundo, algo grandioso para São Paulo e Brasil.
Empório Alto dos Pinheiros
Sem parar, o próximo destino é bem perto, no mesmo bairro de Pinheiros. A Cervejaria Nacional é o primeiro brewpub da cidade e oferece opções de cervejas importadas e próprias, feitas no local e com inspiração no folclore brasileiro: Yiara (Pilsen), Kurupira (pale ale), Mula (india pale ale), Sasi (stout) e Domina (trigo). Sem esquecer as sazonais, produzidas especialmente para determinadas épocas do ano. No térreo é possível ver todos os tanques da cervejaria e se você tiver sorte, até acompanhar a produção.
Cervejaria Nacional
A próxima parada é o Empório Sagarana, um dos bares mais comentados atualmente na cidade, com status de cult. Uma mistura de entendedores e curiosos por cerveja frequentam o local, que não é muito grande, porém muito bem distribuído e agradável. É muito indicado para harmonizar boas porções com ótimas cervejas. 
Empório Sagarana
Se você acompanhou este guia, já deve ter degustado ótimas cervejas durante o percurso. Mas que tal fechar a noite no Frangó, o mais tradicional bar de cervejas de São Paulo, praticamente um ponto turístico? No lado de fora você não imagina, mas dentro do Frangó você respira cerveja, em cada canto você aprende algo e pode degustar tudo isso. Não deixe de conhecer o proprietário, Cássio Piccolo, um grande conhecer de cervejas. Estilos de todo mundo você encontra lá, em diversos ambientes, cuidado para não se perder lá dentro, ou melhor, se perca!


Frangó







Fabrício Santos - FullPintBR


Ribeirão Preto, localizada no interior do Estado de São Paulo, já tem seu nome associado a cerveja há muitos e muitos anos. Desde a época em que a cerveja produzida em larga escala possuía mais qualidade sensorial do que hoje. Quem nunca ouviu falar do Pinguim e sua Antarctica que servia o chope “vindo direto da fábrica por uma tubulação subterrânea”? Claro, uma grande lenda urbana (a fábrica ficava cerca de 2 km do bar), mas que marcou toda uma época.

Tendo a cerveja correndo nas veias, nada mais justo que esta cidade ter várias opções de “sangue azul”: são 3 cervejarias artesanais e vários bares e restaurantes com cartas de cervejas especiais.

A Cervejaria Colorado é a pioneira, não só em Ribeirão Preto, mas a nível nacional. Produzindo sempre com ingredientes inusitados como rapadura, mel e mandioca, se firmou inicialmente como um pub. Atualmente, busca a produção em larga escala (acima de 100 mil litros) e também iniciou sua exportação para os EUA. Conta com seu bar, o Cervejarium, com uma boa carta de cervejas e sempre chopes fresquinhos nas torneiras.

Veio então a Lund, cervejaria que prima pela excelência em lagers, com o mestreEvandro Zanini tocando as panelas e produzindo uma Munich Dunkel que é a melhor do Brasil na minha opinião. Está em franca expansão e promete mais estilos pra muito em breve. Possui um espaço dentro da fábrica para atender reuniões e clientes, um luxo!

A caçula das cervejarias é a Cervejaria Invicta que possui um portfolio gigante – que inclui desde uma Pilsner, passando por uma IBA, até uma Imperial Stout – e produz algumas cervejas on demand tendo por seu maior exemplo a cerveja da banda Velhas Virgens, sucesso total de vendas. Produziu também a cerveja comemorativa de 2 anos do blog FullPintBR. Conta com bar próprio, de onde pode se ver toda a produção da cervejaria e provar chopes fresquinhos, que não movimentam por mais de 10 metros até chegar ao seu copo.

Partindo para os bares, Ribeirão Preto também está muito bem servido com excelentes casas noturnas, tais como o Vila Dionísio e Bar Dom Pedro. Se você prefere um ambiente mais intimista, recomendo o Vadinho (que teve uma cerveja feita pela Lund) ou o bar da Invicta que conta com um cardápio de tirar o chapéu! Mas o mais charmoso e atencioso de todos está em Sertãozinho (20 km de Ribeirão Preto), o Empório Santa Fé, que tem nas prateleiras rótulos exclusivíssimos que você não vai encontrar em nenhum outro lugar por aqui, atendimento feito pelo dono, acesso aos produtos “sem frescura” de não poder por a mão nas geladeiras e cervejas nas suas temperaturas corretas, além de uma excelente cozinha. O Santa Fé também sempre promove eventos com grandes nomes do meio, como Edu Passarelli e Káthia Zanatta.
Empório Santa Fé






Nicholas Bittencourt - Goronah

A Cidade Maravilhosa pode ficar melhor ainda quando é acompanhada a boas cervejas e para isso não faltam oportunidades. Se faltam cervejarias na cidade para realizar uma visita, os bares são o destino certo quando se está passando por ali.

No bairro de Botafogo, o Boteco Colarinho apresenta a exclusiva Hopium, uma American Pale Ale criada em parceria com o grupo de cervejeiros caseiros chamado Confraria do Marquês. Também no bairro, o Beer Jack Hideout apresenta a Hi-5, uma das poucas Black IPAs do país. Para aqueles que buscam a vida noturna na cidade, o Lapa Café e o Bar do Ernesto apresentam uma vasta carta de cervejas no bucólico bairro da Lapa, onde você pode beber boas cervejas próximo aos Arcos. Não deixe de conhecer também o famoso Aconchego Carioca, com destaque para seu bolinho de feijão, que já está prestes a conquistar os corações de São Paulo, na filial em processo de abertura
Boteco Colarinho

Do outro lado da poça, como chamamos carinhosamente a Baía da Guanabara, está a cidade de Niterói, conhecida por ter a melhor vista conhecida para o Rio de Janeiro. Depois de assistir o pôr do sol no Parque da Cidade, faça uma parada na Praia de São Francisco e experimente algumas bruschetas no Empório Carlsson, acompanhadas de um cardápio farto em boas cervejas.

Empório Carlsson
 Outra opção é rumar em diração à Região Oceânica, onde as praias não fazem parte da baía, e conhecer a Cervejaria Noi. São quatro diferentes receitas criadas e acompanhadas por Leonardo Botto, um dos cervejeiros caseiros mais respeitados do país. Na área residencial do bairro de Santa Rosa, o Granel é a pedida para aqueles que querem fugir do tumulto e badalação. O sommelier Gustavo Renha cuida pessoalmente para manter a variedade e os últimos lançamentos no cardápio.

Cervejaria Noi

A cidade serrana de Teresópolis, a apenas 100km do Rio de Janeiro, já é famosa pelo campo de treinamento da seleção brasileira de futebol e também pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Agora a cidade possui também um atrativo para a cerveja. A cervejaria Saint Gallen, conhecida pelas cervejas Therezópolis, possui sua cervejaria aberta a visitação . Além do passeio, a vila germânica anexa possui lojas com diversos produtos artesanais. Para aqueles que desejam pernoitar na cidade, há também a opção de uma pousada na vila, poupando o risco de dirigir depois de passar o dia aproveitando o biergarten local.

Vila St. gallen
A cidade onde viveu a família real brasileira, Petrópolis (67km do Rio De Janeiro), possui atrativos além do passeio de pantufas no Museu Imperial. Aqueles que gostam de cerveja tem um museu todo especial a esse assunto, construído na antiga fábrica da Cervejaria Bohemia, a primeira do Brasil. Uma oportunidade é visitar a cidade durante a Bauernfest, uma tradicional festa da cultura alemã que movimenta a cidade sempre no fim de junho e início de julho. Além da cerveja, o evento também conta com apresentações de grupos folclóricos e muita música alemã. Ein Prosit!
Bohemia







Rodrigo Lemos - Beer Architecture

Belo Horizonte é conhecida por todos como Capital Nacional dos Bares, dada a maior quantidade de bares per capita do país que nossa cidade possui. A tradição do belorizontino de frequentar este tipo de estabelecimento é tanta que existe inclusive uma máxima que diz “se não tem mar, vamos para o bar!”

Com tamanha predileção pelo saudável ato de encontrar os amigos para jogar conversa fora bem acompanhado de uma cervejinha, o belorizontino tinha tudo para se interessar pela revolução da cultura cervejeira que vem acontecendo nestes últimos anos. E não foi diferente.

Ainda na década de 90, mais precisamente em 1997, foi inaugurada, bem próxima ao BH Shopping, a primeira microcervejaria do estado. Era a Krug Bier, uma microcervejaria que então funcionava como brewpub, ou seja, o bar era dentro da cervejaria. Em pouco tempo eles já contavam com quatro tipos de chope (lager, keller, weizenbier e munich dunkel) e também faziam delivery, o que contribuiu muito para a fama de seu chope. Em 2004 a cervejaria lançou seus produtos em garrafa, batizando a linha de Áustria, contando hoje com cinco rótulos distribuídos nacionalmente. Hoje a Krug conta também com a maior fábrica em volume de produção do estado, que fica no bairro Jardim Canadá, e com seu bar próprio na Rua Major Lopes, tradicional setor boêmio da cidade.
Krug Bier (foto: Baco e Ninkasi)
De lá pra cá, o número de microcervejarias só faz crescer, tornando BH e região um dos grandes pólos de produção da bebida, produção que não só é vendida em garrafas nacionalmente como também em chope por vários bares da cidade.

Outros bares que fazem parte da história boêmia e cervejeira de Belo Horizonte são o Haus München e o Stadt Jever. O primeiro foi, durante muitos anos, um tradicional restaurante alemão da cidade, que no início dos anos 2000 ganhou uma nova cara ao ser administrado pelo experiente empresário do ramo Rodrigo Ferraz. O resultado foi uma casa moderna, de atendimento diferenciado e foco na oferta de vários rótulos de cerveja, isso já em 2004, 2005, permanecendo até hoje como importante casa do meio cervejeiro. Já o Stadt Jever é um capítulo à parte. Um dos bares mais famosos e tradicionais de BH, próximo de onde funcionou, de 2006 a 2011, outro lendário bar cervejeiro de BH, o Frei Tuck Slow Beer, o Stadt Jever é um autêntico pub alemão que recentemente recebeu a intervenção de ninguém menos do que a equipe da cervejaria Wäls, que deu vida nova ao bar, transformando-o em mais um destino obrigatório para quem gosta de boas cervejas. Mas os meninos da Wäls não pararam por aí. Inaugurado no dia 07 de julho, no bairro de Lourdes, o Empório Serafina conta com 16 torneiras de chope, entre rótulos da Wäls, de cervejarias mineiras como a Falke Bier, Küd e Taberna do Vale e nacionais como a Colorado, a Way e tantas outras, além de chopes importados e cervejas diversas.
Stadt Jever (foto: Guia BH)

Outra grande cervejaria que tem presença forte em BH e que conta com seu próprio bar é a Backer. Localizado no Shopping Pátio Anchieta, zona sul da cidade, o pub alia cardápio criativo inspirado na gastronomia mineira com a linha de produtos da cervejaria, em chope e em garrafa. A Backer conta ainda com extensa linha de quiosques-bar distribuídos em diversos shoppings de BH e até mesmo no tradicionalíssimo Mercado Central.

Não podemos esquecer o Rima dos Sabores, restaurante de carnes exóticas de cozinha extremamente criativa e premiada, capitaneada pelo Juliano Caldeira. O Rima é outra casa intimamente ligada à cultura cervejeira, onde, além de petiscos de javali, avestruz e jacaré e pirotecnias à base de bacon, você pode degustar os chopes da Falke Bier e da Küd que não chegam aos outros estados, como o vienna lager Red Baron, a IPA Kashmir e a IBA Blackbird, num ambiente em que você se sente em casa.



Rima dos Sabores

BH ganha praticamente a cada mês uma novidade no setor. Nomes como Mello Pizzaria, Bar Seu Romão, Obardô, Mambo Drinkeria e os pubs irlandeses Celtic e Duke ‘n’Duke contam com opções de chopes artesanais e/ou cervejas especiais em seus cardápios.

E para quem quer ir além da experiência dos bares e quer conhecer as cervejarias, este que vos fala organiza o Beer Tour, que leva os turistas para conhecer este grande número de micros e nanocervejarias da região, bares e lojas especializadas. Maiores informações no meu blog, o Beer Architecture, ou na minha página pessoal no Facebook.

Venha a BH provar da hospitalidade mineira e da nossa paixão por boas cervejas!

Agora não tem mais desculpa! Compre a sua passagem, monte o seu roteiro e descubra o sabor da cerveja brasileira. Boa viagem!